terça-feira, 21 de julho de 2015

O agronegócio não fará Milagre

A economia brasileira atravessa um momento muito difícil em sua história recente. Com baixo crescimento econômico em 2014 e com previsão de PIB negativo para 2015, a confiança dos empresários atinge níveis negativos nunca vistos. Os investimentos privados, por consequência, estão em forte queda e os consumidores, por sua vez, repensam cada gasto devido ao elevado endividamento das famílias, á inflação, aos juros altos, além da instabilidade nos empregos. O governo que antes se arvorava ser indutor da economia - mesmo sem investir em infraestrutura e competitividade - recolheu suas velas e agora ajusta suas finanças á realidade de quem nunca deveria ter apartado.
Neste contexto, colheremos, ainda que com perdas importantes em algumas regiões, uma bela safra. Como na transfusão do sangue de um jovem saudável para as veias de um grave enfermo, a comercialização de nossos grãos e carnes movimentarão diversos segmentos da indústria e dos serviços, revigorando-os e contribuindo para que atravessem esse momento delicado. De outra ponta, parte desse faturamento será reaplicado para a próxima safra,  movimentando o setor de máquinas, fertilizantes, fármacos, químicos etc. A agricultura, portanto, é o centro de uma grande e complexa estrutura que envolve dezenas de segmentos econômicos e, sem dúvida contribuirá muio para um melhor desempenho econômico. Mas  e importante que se frise: o agronegócio não fará milagres.
Além de não fazê-los, nossa preocupação é com a contaminação do agronegócio a partir das incertezas, fragilidade e erros de avaliação cometidos na condução da economia, que se manifestam o custos da produção.
Como se tudo isso já não fosse preocupante o suficiente, os desarranjos na Petrobras e a falta de planejamento do setor energético nos trouxeram como consequência aumentos violentos na conta da energia e doa combustíveis. Para arrematar o mau momento, a taxa de  câmbio sofreu depreciação, mandando ás alturas os preços dos fertilizantes e dos agroquímicos, que representam mais da metade do custo operacional. 
Estamos, por fim, preocupados. E não é de hoje! Há alguns anos temos denunciado o forte aumento dos custos e a incapacidade de competirmos globalmente carregando um peso que nossos concorrentes  que , maioria, ainda são subsidiados - não carregam. O agronegócio tem contribuído em muito para economia brasileira e gaúcha, mas não está  imune aos problemas gerais.

Fonte: Farsul
Carlos Rivaci Sperotto
Presidente

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